Sandra Fayad

Proseando em versos

Textos


GUARANÁ - O AFRODiSÍACO COMPROVADO
(Sandra Fayad)

Em toda a história da humanidade, mesmo em época bem remota, há indicativos da preocupação com a libido. Historiadores relatam que no Egito antigo existiam poções mágicas, feitiços e rituais para encantar o sexo oposto, ou fomentar o apetite sexual quando este não se manifestasse a contento. Os segredos, guardados as sete chaves por sacerdotes e curandeiros, eram geralmente relacionadas com as propriedades afrodisíacas de certas plantas.
De acordo com a Mitologia Grega, uma das versões sobre o nascimento de Afrodite, a deusa do amor, da sexualidade e da fertilidade, é que ela emergiu do oceano em uma concha, nas praias de Chipre. Há uma lenda relatando que, em cada ponto do solo onde Afrodite tocava com os pés, nascia uma planta. A primeira a surgir no seu rastro foi a romã, que passou a ser venerada como dádiva aos homens. A romã ficou conhecida como uma das espécies “afrodisíacas”. Depois teriam surgido outras e mais outras...
Com a quebra de tabus sobre sexo e o advento de fórmulas desenvolvidas em laboratório, grande parte dos problemas com a libido foram ou estão sendo minimizados e até solucionados. Mas, ainda assim, é possível recorrer aos meios naturais, através do uso adequado de plantas, como se fazia na Antiguidade.
Neste texto eu gostaria de conversar com vocês sobre uma que é bem nacional e bastante conhecida. Trata-se do Guaraná da Amazônia.
A árvore é um arbusto de cerca de três metros de altura, em forma de cipó, com copa que varia de 9 a 12 m², muito comum nos Estados do Amazonas e do Pará. O guaranazeiro foi estudado pela primeira vez, em 1826, por Von Martius, em Maués, município que fica a 270 km de Manaus e que é considerado o berço do Guaraná.
Pesquisadores da EMBRAPA constataram em suas sementes a presença de até 6,2% de cafeína, teor quatro vezes maior que o do café, o que explica o efeito estimulante da fruta, já conhecido e utilizado pelos índios da Amazônia, pelo menos desde o século XVII, em forma de pasta como alimento e remédio. Um relato do padre Felipe Bettendorf, datado de 1669, conta sobre a frutinha que os índios transformavam em umas bolas que eles valorizavam ”como os brancos estimam o seu ouro”. O padre explica: “desfeitas em água elas dão tanta força como bebida que indo à caça um dia até o outro eles não sentem fome.”
As frutinhas vermelhas em cachos, ao amadurecer, se abrem mostrando o interior negro, em contraste com a massa branca ao redor, como se fossem olhos. Os índios explicam o fenômeno com uma lenda que é encenada em Maués (AM) todos os anos em novembro, na Festa do Guaraná. Conta a história que a planta se originou dos olhos abertos de uma jovem morta junto com seu namorado, por um raio. Eles viviam um romance proibido, por serem de tribos rivais.
Os efeitos energéticos descobertos pelos índios, acabaram por estimular o interesse pelo aproveitamento industrial do guaraná. Rapidamente chegaram à Europa informações sobre as qualidades terapêuticas da planta, provocando o interesse no seu consumo em todo o mundo.
Assim é que, em 1921, foi inventado o refrigerante à base de guaraná. O produto, transformado em símbolo do Brasil, conquistou consumidores em países como Portugal, Espanha, Porto Rico, Japão. A ampliação do uso comercial das sementes, denominadas “frutos da juventude” e incorporadas por indústrias nas áreas de farmácia e de beleza, animou milhares de agricultores da Bahia, na antiga zona cacaueira. Em menos de dez anos, o Estado se transformou no maior produtor nacional. Hoje, de acordo com os cálculos da EMBRAPA, 70% das sementes colhidas no Brasil, vão para a fabricação de refrigerantes de empresas brasileiras. Além de vender para fábricas regionais de refrigerantes, os produtores baianos atendem à demanda de indústrias farmacêuticas, de cosméticos e de produtos energéticos.
Como faziam os índios, o guaraná é valorizado como estimulante em tipos variados de produtos, como “arrebites”, cápsulas e outros produtos para praticantes de esportes.
Dentre os vários livros do PHD em botânica, pesquisador e professor aposentado da UNICAMP, Gil Felippe, destaca-se o título "No Rastro de Afrodite - Plantas Afrodisíacas e Culinária" (Ed. Senac SP e Ateliê Editorial – de 2004). O autor analisou 400 espécies de plantas consideradas afrodisíacas com o objetivo de distinguir a lenda da crença popular e daquilo que pode ser comprovado pela ciência como fator importante no funcionamento da libido, em homens e mulheres.
Nos seus estudos, o professor analisa cada uma das espécies, sua origem, denominação, gênero, família e uso na culinária, na perfumaria e na medicina. Discorre também sobre as lendas e crenças populares que cercam essas plantas, além de mostrar receitas culinárias, reunidas por ele, durante sua estadia na Escócia, onde fez especialização, bem como na sua experiência, na volta ao Brasil.
O resultado - depois dos experimentos realizados, inclusive com coelhos, e análises das substâncias que compõem cada planta -, revelou que apenas algumas das espécies podem ser cientificamente consideradas afrodisíacas.
Pois bem, o Guaraná é uma das plantas que o Professor Gil Felippe comprovou possuir propriedades afrodisíacas e que a medicina natural considera alimento capaz de revigorar as perdas orgânicas. Portanto, ele está entre os energéticos eleitos.

Durante a pesquisa a respeito do assunto, deparei-me com dezenas de receitas que utilizam o guaraná em suas diversas formas de apresentação: natural, pó, líquido. Selecionei estas para vocês, lembrando que o uso indiscriminado de remédios, mesmos os naturais, podem causar danos à saúde. Portanto, cautela e bom senso são fundamentais. É sempre bom ouvir a opinião de um médico.


Bolo de guaraná
(Site Ana Maria Braga)

Ingredientes:
- 2 xícaras (chá) de açúcar
- 4 gemas
- 150 gramas de margarina em temperatura ambiente
- 1 xícara e meia (chá) de guaraná
- 3 xícaras (chá) de farina de trigo
- 1 colher de fermento em pó
- 4 claras em neve
- 1/2 lata de leite condensado
- 1 vidro de leite de coco

Modo de Preparo:
Bata o açúcar com as gemas, adicione o guaraná, a farinha e o fermento peneirados juntos. Quando a massa estiver bem batida misture as claras em neve.
Asse em forma de buraco no meio até dourar. Em uma tigela à parte, misture o leite condensado, o leite de coco, regue o bolo ainda quente e perfurado com um garfo.
Deixe esfriar e sirva.


Torta Salgada de Legumes
(Globo)

Ingredientes:
Massa:
1 colher (chá) de sal
1/2 kg de farinha de trigo
200 g de gordura vegetal
1/2 xícara mais 2 colheres (sopa) de guaraná
Recheio de Frango:
Óleo
1 peito de frango
2 tomates picados sem sementes
Caldo de Galinha
Sal
Cebola
Cheiro verde
1 colher (sopa) de farinha de trigo dissolvida no leite
6 batatas pequenas
4 cenouras pequenas, cozidas e picadinhas bem miúdas.
1 lata de ervilha
2 ovos cozidos
Azeitonas verdes

Preparo:
Massa:
Desmanche a gordura com o sal e um pouco de farinha de trigo.
Coloque o guaraná.
Junte o restante da farinha de trigo e amasse.
Abra a massa e coloque na assadeira.
Espalhe o recheio e cubra com a massa.
Pincele com gema e óleo.
Leve para assar
Recheio de Frango:
Refogue com óleo o frango, tomates , temperos, sal, cebola, cheiro verde, 1 colher
(sopa) de farinha de trigo dissolvida no leite.
Depois coloque 6 batatas pequenas, 4 cenouras pequenas, cozidas e
picadinhas bem miúdas. Em seguida adicionar 1 lata de
ervilha, retirar do fogo e colocar 2 ovos cozidos e azeitonas.
Obs.:
Abra a massa e coloque em uma assadeira de abrir, coloque todo o recheio e leve ao forno moderado (170º).
Salpique salsinha picada antes de servir


Energia atômica
(Linux-USP)

Ingredientes:
30 ml de xarope de guaraná
50 ml de suco de laranja
Suco de ½ limão
1 pitada de pó de guaraná

Modo de fazer:
Bata no liquidificador .Leve ao freezer até congelar. Sirva em taça e complete com guaraná (refrigerante).

Bibliografia :
Livro: Greek Mytology, de Sofia Souli
Revista A Grécia – Mitos e Lendas – Ed. Ática
Fundação Joaquim Nabuco.
https://www.deere.com.br
http://anamariabraga.globo.com/
http://www.linux.ime.usp.br/
http://tvtem.globo.com/culinaria/

 
Sandra Fayad
Enviado por Sandra Fayad em 27/09/2007
Alterado em 11/07/2014
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