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Chegamos a um tempo em que a criatividade, o esforço para aprender um idioma, regras gramaticais, ortografia, linguística estão sendo jogados na lixeira.
Você que, como eu, demorou meses, às vezes anos, para produzir uma obra literária, já não tem utilidade neste novo mundo.
Hoje a inteligência artificial escreve livros como sendo de sua autoria. Basta você responder a algumas perguntas formuladas pela máquina e seu livro fica pronto em segundos, Vem com capa, Ilustrações e todo aquele aparato de providências que os autores e as editoras precisam tomar, como: revisar 10 vezes os textos, decidir sobre ilustrações, tipo e o tamanho da letra, número de capítulos, formato da obra, tipo e a espessura do papel, cores, número de páginas e muito mais...
Mas não para por aí. Você não precisa gastar seus lindos olhos para ler o que escreveu ou o que os outros autores escreveram, desde que as obras estejam nos formatos estabelecidos pela IA, o que é facílimo de fazer também. Já existem aplicativos que leem para você apenas ouvir o conteúdo do livro, enquanto usa seu tempo para outras coisas (mais importantes!) como comer dirigir, tomar banho, fazer suas necessidades fisiológicas.
A criatividade e o esforço mental aliado ao esforço físico sempre foram as ferramentas das grandes invenções da humanidade.
Reflito sobre isto.
Ainda não posso avaliar a qualidade dessa nova ordem, mas penso que o cérebro das pessoas vai ficar cada vez mais comprometido nesse processo de redirecionamento radical, anulando a capacidade de desenvolver novos caminhos e experimentos humanos que impactem e premiem a humanidade. Percebo que, ao receber tudo pronto, nossos hábitos - desde o que comer e como dormir - nossos pensamentos e ideais, nossa capacidade de liderança para reagir e mudar o que não nos traz benefícios estão sendo padronizados. Isto é bom?
Bsb, 13/06/2026