https://www.youtube.com/channel/UCzK0q-tqzEEpMrv98J5Eu4g
Vai entrar uma pitada de saudosismo necessária para a compreensão. Peço licença.
Troquei algumas palavras com minha amiga Luzia. Ela havia confundido datas na sua agenda e tentava se justificar. Eu vi o fato como situação natural. Ela insistiu que se tratava de lapso causado pelo envelhecimento. Ponderamos a respeito. Concluímos o óbvio. O mundo mudou muito desde meados do século passado. Por mais que nos esforcemos, há uma avalanche de informações confusas e estéreis nos perseguindo dia e noite, com as quais não conseguimos lidar. Sabíamos organizar nossos livros, pastas físicas de papéis, cartões de visitas, álbuns de fotos, discos de vinil e até cd's. Mas nada disso é mais necessário. Ficamos ociosos, demodê? Não! Tudo foi substituído por muito mais dados, informes. Está na 'nuvem', na tela. Continuamos sendo acionados, agora com vídeos, fotos, jogos, personagens. Raramente uma frase. Não é necessário ter armários com gavetas, estantes, caixas. Quer preservar antiguidade? Leva para um museu. Não tem onde guardar? Incinera. Mas o pior é que a comunicação entre seres da mesma espécie ficou ininteligível. Você fala ou escreve algo e os interlocutores, via de regra, entendem outra coisa, interpretam tudo diferente do que você quis dizer. Então a comunicação, que era para ser produtiva ou lúdica se transforma em afastamento ou guerra declarada. Plagiando Castro Alves, eu pergunto: Deus! Ó, Deus! Onde estás que não respondes?