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Toda manhã no espaço há vistoria
De cima até lá embaixo novidades.
Perto do portão é aquela correria
Lagartixas me olham e zarpam
Dizem "sei lá o que vem por aí".
Borboletas me rodeiam aos pares
"cuidado! estes são ovos e há filhotes logo ali".
Sabiá para de ciscar e me olha poderoso
"falta água, as minhocas se esconderam"
Vem o Anu no seu passinho charmoso
"água quente na bacia, meu banho adiado"
Abelhas voam de um para outro lado
"abra a água! precisamos trabalhar".
Formigas contestam com veemência
"água não! vocês vão me atrapalhar".
Minhocas se mexem na composteira:
"cadê as cascas para nos alimentar?"
Pombos vão chegando sorrasteiros
Mas levam carreira do chefe sabiá.
Saruê desistiu de, na Horta, acampar
Com Tobias, o cão serial killer,
Saruê prudente decidiu não arriscar.
Mãos à obra é o que me resta
Água, comida, prudência e labor
Essa gente invisível aos visitantes
É minha família fauna, que fala comigo
Com delicadeza e gestos revigorantes.
Bsb, 08/02/2026