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"Vossa alegria é vossa tristeza desmascarada" (Kalil Gibran)
Faltavam dez dias para o Natal quando veio a notícia bomba. Ela, a razão de toda a minha inspiração, dos meus planos, de todo o esforço de mais de meio século, apareceu com o diagnóstico bombástico: leucemia.
No primeiro momento veio o desespero, as lágrimas, o descrédito seguidos da esperança de que se tratava de um erro ou falha do laboratório. Depois veio a esperança na informação médica de que é um mal controlável, um descontrole celular.
Dois dias depois acontece a internação hospitalar da criança de ano e meio de vida com quadro respiratório de elevado comprometimento. E para completar, no dia seguinte a notícia de que um familiar próximo estava novamente na UTI de outro hospital em decorrência de problemas cardíacos.
De segunda a segunda fé, orações, cansaço, esperança e tristeza (tudo misturado) dava a sensação de que o corpo e a mente navegavam fora de órbita. Dores físicas e emocionais povoavam os dias e noites. Mas era necessário manter a calma, trabalhar para que a vida voltasse à leveza de sempre, comprar os presentes que faltavam, confirmar a confraternização de Natal, seguir, sorrir...
Quando tudo parecia tender à normalidade, hoje, mais um quadro de febre, garganta inflamada e sabe-se lá o que mais na criança de 3 anos voltou a travar o equilíbrio. Sem muitos motivos aparentes veio a explosão descontrolada - isto já está indo longe demais.
Que confusão é essa, meu Deus?
Há apenas dois dias da grande festa cristã não sabemos se vamos comemorar, se temos ânimo e alegria para compartilhar os momentos em família.
Essa condição inédita, esta tristeza desmascarada contamina e anestesia o encontro com a alegria.
MAS...
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas..." (Salmo 23).
Que assim seja!
Bsb, 23/12/2025