Blog                                                                                                                                                                                                           Facebook        Twitter         Youtube                                                                                                             
Sandra Fayad Bsb
Proseando em Versos
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
ÁudiosÁudios
E-booksE-books
FotosFotos
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
PrêmiosPrêmios
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
LinksLinks
Textos


Minha Vida em Brasília - Episódio 37:
A casa em que eu morei no Guará II era do tipo popular, com dois quartos minúsculos, sala cozinha e banheiro também pequenos. Havia uma varandinha na frente e o tanque ficava nos fundos, do lado de fora e sem cobertura. Para delimitar a casa em relação à área pública havia uma muretinha de 80 cm de altura. As ruas estavam sendo asfaltadas, em alguns trechos ainda estavam instalando as manilhas da rede de esgoto e havia muita terra vermelha solta e buracos. Enfim estávamos sendo os pioneiros naquele local precário e sem iluminação pública.Todas as casinhas eram iguais, lado a lado, cedidas aos funcionários pelo Tribunal de Contas da União, mediante o pagamento de uma taxa de ocupação, que era descontada do salário. Os recursos arrecadados iam para o DASP - Departamento Administrativo do Serviço Público - que era também o Órgão que administrava a construção e distribuição desse segmento de moradias. Manutenção já era outra história!
Meu irmão Sergio e a Lu se casaram e foram morar provisoriamente comigo e minha filha. Achei a ideia boa porque estava preocupada com a menina, que estudava no Jardim de Infância Gebinho no Guará I. É que meu ex marido havia se mudado para as proximidades, seguia meus passos e andava enviando recados assustadores. Foi uma fase complicada que enfrentei com a coragem que hoje, nem de perto, eu teria.
Um pouco antes, eu havia sido apresentada pela colega de escola, professora Hilda, a um estudante de Direito na UNB, que morava em um pensionato e havia sido aprovado no concurso público para a Polícia Civil. Ele era conterrâneo da minha cunhada, Lu. O Jotaeme me convidava para ir ao cinema, comer sanduiche, dar umas voltinhas no seu impecável fusca amarelo zero km, último modelo.
Pois bem, minha filha havia arranjado um papagaio, que era o nosso xodozinho. Aos domingos, como de costume, rumamos cedo para o Cruzeiro Velho, onde moravam meus pais, para nos deliciarmos com o almoço genuinamente árabe da mamãe, em companhia do restante da família. Antes deixamos comida e água para o animalzinho de estimação e fechamos a casa. Era a temporada de chuvas no DF, quando ocorrem fortes temporais com raios e relâmpagos. No final do dia, ao retornarmos à casa, o caos havia se instalado no local e nas proximidades. A rua era um completo lamaçal, a casa havia sido invadida pela enxurrada de barro até a altura de 1 metro e meio, e o pobrezinho do papagaio estava morto com as perninhas para o alto. Não sei se chorávamos mais pelos estragos encontrados ou se pela morte do bichinho falador. Entre lágrimas, com as calças arregaçadas até os joelhos, pegamos enxada, pá, vassoura, rodo e fomos ver se conseguíamos minimizar a tragédia, quando eu vi entrar bem devagar lá pelo cantinho da rua o impecável fusca amarelo. Dentro dele o Jotaeme limpinho, perfumado, pronto para levar-me ao cinema.
Sandra Fayad Bsb
Enviado por Sandra Fayad Bsb em 20/09/2019
Copyright © 2019. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras