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CIDADÃ
Data: 27/03/2008
Créditos:
Poesia simples de Sandra Fayad, declamada pela autora.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. CIDADÃ
CIDADÃ Sandra Fayad Tenho RG, CPF, Título de Eleitor, Plano de Saúde, Vínculo Empregatício. Estou no sistema. Sou cidadã! Namorei, noivei, casei, Mas bom mesmo é ter um grande amor (Impossível...). Fumei para estar na moda. Virou vício, Que eliminei para estar na moda. De cigarro tomei pavor. Fui fumacê apaixonada! Cidadã! Abri conta no Banco Oficial Pra receber meu salário Que mal dá pra comprar Passes e PF universitário. O Banco Particular, Querendo me conquistar, Ofereceu-me cartão de crédito Pra acabar de me ferrar. Sou refém do lucro fácil! Cidarréfem! Entrei no consórcio de automóveis Para realizar o sonho dourado: Ter um fusca zero Com painel perfumado. Paguei sessenta meses, Mas consegui entrar e sair (Duas vezes!). Assinei Quatro Rodas. Fiz financiamento do BNH Que acabou antes da dívida acabar. Incendiaram O Ministério da Habitação (Estive lá em reunião) Que dó! Que fogaréu! Queimaram tudo: Papelada, fitas de computação. Sou otária! Cidadotária! Comprei roupas, bicicleta, patins Jaqueta, relógio, maquiagem importada, Bugiganga americana e chinesa, Perfume francês: forte pra dedéu! Eletrônicos fabricados lá nos confins. Só para dar o que falar, ser admirada. Americanizada!!! Sou acéfala com véu! Sou Cidadéu! Sigo à risca a Constituição Leis, decretos, regulamentos. Respeito os dogmas da religião. É bem verdade que desobedeci Questionei em certos momentos, Mas me penitenciei. Ninguém é santo! Sou Cidapura! Presto contas pro Leão De tudo que ele me garfa. Todo ano respondo não: Não subiu meu patrimônio! Não caíram minhas despesas! Não fiz pacto com o demônio, Não traí, não menti, não roubei, Nem comi mais sobremesas Sou pastel! Cidadela! Ah, como eu queria ter nascido Em uma aldeia tupi, Lá pros lados de Paratins, Na foz do Maicí, Em meio a guerreiros bravos; Ou lá na terra dos meus avós, Onde enfrentam a guerra, Mas não se tornam escravos. Se eu fosse menos cidadã, Não usaria calcinha, nem sutiã Ou Me penitenciaria ... Durante o Ramadã. Bsb, 26/03/2008
Enviado por Sandra Fayad em 26/03/2008
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